"A busca pela boa idéia é trabalhosa como procurar agulha num palheiro, e dolorosa como procurar palha num agulheiro"

 

 



...eu.

























Arquives
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Dois poemas rápidos:

Você é moça da calmaria;
eu gosto mesmo é da cidade.
Onde você vê gritaria;
eu sinto felicidade.
E onde eu me suicidaria,
você viveria à vontade.
Enfim, não dá... nunca daria...
e falo com siceridade:
Quem faz agronomia
não combina com publicidade.

[...]

Diz que não podemos nos unir,
mas só levanta irrelevâncias.
Reclama que só sei me exibir...
Mas existem discrepâncias,
pois ela tambem se exibe aqui e ali.
Afinal, não vejo motivo pra tanta cobrança...
Só porque ela gosta de apreciar Salvador Dali
e eu gosto de correr na Salvador França




























gustavo.panichi

Terça-feira, Fevereiro 15, 2005
O COMEÇO DA BRIGA

- O gauchão foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida no seu armazém no Plano Alto. Três mortos, oito feridos, um horror...

- No meu bolicho, seu delegado. Quem sou eu para ter armazém? Armazém é do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que...

- Não desvie do assunto. Como e porque começou a briga?

- Bueno, pos então, historemo a coisa. Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atolada. O doutor entende: Peonada no más, loucos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal...

- Continue, continue, deixe o turco em paz.

- Pois então bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns quinze home tomando umas que outras, uns mascando salame pra enganar o bucho, quando chegou o Faca Feia. O senhor sabe, o índio é mais metido que dedo em nariz de piá, deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho. Todo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe. O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo, deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Faca Feia. Um contraparente do Faca Feia não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho - lá nele - e o Lautério saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo pelo lombo, um amigo do Lautério se botou no contraparente do Faca - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lhe chamam Pé de Sarna. Um irmão do Sarna acho que chateado com aquilo pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do homem que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu doutor. E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido. Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente. Aí eu fui ficando nervoso, puxei meu berro pro mole da barriga, pronto pra um quero, meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brincadeira já tava ficando pesada. Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melena e degolou o vivente num talho, a coisa mais linda. O sangue jorrou longe como mijada de cuiúdo. Aí eu e mais uns outros - tudo home de respeito - se arrevoltemo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha?

- Acho, sim. Mas e ai?

- Pois, como lhe disse, nós se arrevoltemo. Saquemo os talher. E foi aí que começou a briga...

5:15 PM

Terça-feira, Fevereiro 08, 2005
Eu quero alguém que seja boa comigo;
alguém que goste de ver um filme de vez em quando;
alguém que goste de ficar embaixo do edredom no inverno, abraçados;
alguém que goste de tomar café, ou qualquer outra coisa que sirvam em cafeterias;
alguém que goste de tomar cerveja;
alguém que até goste de dançar, mas prefira um barzinho;
alguém que goste de violão;
alguém que goste de música boa, e tenha o minimo de discernimento pra discutir o assunto;
alguém sem preconceitos;
alguém que tenha ciumes, mas não exagerado;
alguém que tenha os cabelos do jeito que for: loiro, moreno, vermelho, liso, cacheado... desde que compridos o suficiente pra entrelaçar nos meus dedos;
alguém que goste de animais;
alguém que goste dos meus amigos;
alguém que me atraia. Seja do jeito que for. O mais importante é ter um olhar que me hipnotize e um sorriso que ilumine o meu viver;
alguém com manias, mas não psicóticas;
alguém com uma família convidativa;
alguém que goste de coisas novas, mas não descarte o feijão com arroz;
alguém que sugira coisas;
alguém que me faça cafuné;
alguém que converse, mas converse bem;
alguém que tenha um perfume envolvente, o tempo todo (ou quase);
alguém que saiba a hora certa de me dar um beijo, um abraço, de inflar meu ego ou de me dar um tabefe;
alguém com senso de humor;
alguém que entenda, goste e se divirta com o meu senso de humor;
alguém que se sinta confortável na minha família;
alguém que se meta na minha vida de forma consciente, mas avassaladora;
alguém que me apaixone;
alguém apaixonada por mim;
e acho que é só.


Mas não precisa ser pra agora...

7:45 PM

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